Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011
Reflexão sobre Teoria de Rede de Actores ou Actor Network Theory (ANT)

 Em 2004, durante uma aula de mestrado dada pelo Professor Doutor "Dias Figueiredo" (Universidade de Coimbra) conheci a Teoria de Rede de Actores (ou Actor Network Theory, ANT), desenvolvida nos anos 80 do século passado em Paris, por Michel Callon e Bruno Latour.

 

Penso que algumas das notas que tirei durante essa aula maravilhosa e inspiradora, de um igualmente bom comunicador, poderão ajudar a clarificar o conceito, ainda controverso, de "role-playing" (será?).


De acordo com a ANT, a sociedade não é formada apenas por pessoas, mas também por entidades não-humanas. Cada um dos elementos constituintes da sociedade (humanos e não-humanos) é um "actor" dessa sociedade. Esta, por sua vez, consiste numa rede heterogénea de interesses interligados dos actores que a constituem.

Indissociados da ANT surgem os conceitos de "inscrição" e "tradução". 

Por "Inscrição" entende-se a incorporação de padrões de utilização dos artefactos técnicos (no contexto deste Programa Doutoral, e em particular desta UC, as ferramentas da Web 2.0 - "O QUÊ").

Por "Tradução" entende-se a forma como se incorporam padrões, isto é o processo de reinterpretação, representação ou apropriação dos interesses alheios, de forma a que passem a ser seguidos - ("O COMO").

Vou dar um exemplo, que me parece clarificador destes dois conceitos, ainda que desactualizado nos hotéis do século XXI.    :)

Inscrição -  muitos hotéis, ao verem que muitos dos seus hóspedes se esqueciam de devolver as chaves dos quartos após do checkout, deciram associar-lhes porta-chaves de grandes dimensões e pesados. Com estes portas-chaves exagerados, introduz-se um actor imaterial (o tamanho exagerado e peso do porta-chaves), no qual se inscreve o comportamento que se pretende que os "actores humanos" venham a ter. Com a introdução deste actor, os hotéis conseguiram que um menor número de hóspedes se esquecesse de devolver as chaves.

Tradução - neste exemplo, corresponde ao entendimento, e cumprimento por parte dos hóspedes, da ordem implícita no tamanho exagerado e peso do porta-chaves, ie, o não esquecimento da devolução das chaves à saída.

No contexto desta UC, os actores consistirão em alunos, professores, mentores, tal como as ferramentas da Web2.0 e outras entidades.

Cada um deles deverá situar-se e desempenhar o seu papel na comunidade em função de contínuas e iterativas "inscrições" e "traduções" que cada um dos actores pode imprimir na comunidade.

Será isto o que se entende por role-playing?

 


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2 comentários:
De fpkanitar a 25 de Fevereiro de 2011 às 10:50
Muito bom Mariana! Boa partilha! Esta reflexão me levou para o tempo que frequentava curso de teatro e cada elemento, humano ou não, representava um papel/personagem. Era muito bom! Depois de alguns anos, ao frequentar o curso de Docência Superior, lato sensu, frequentei uma UC que usava todos estes argumentos para nos orientar como proceder em sala de aula usando estes artifícios que, para meu espanto na época, usei no curso de teatro.


De Raul Dores a 30 de Agosto de 2012 às 20:42
Um excelente resumo de uma teoria complexa, mas adequada para o estudo dos fenómenos sociotécnicos modernos. Eu estou a tentar ligar esta teoria com a contabilidade de gestão !!


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